5S não é coisa de fábrica.
Onde existe área de trabalho, o 5S transforma — posto de enfermagem, doca de expedição, laboratório, escritório, cozinha profissional. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Plano Mestre 5S fechado.
Posto de enfermagem sem item vencido e material achado em 1 minuto
Saúde · Posto de enfermagem da ala B — Hospital São Lucas · Jan/2026 – Abr/2026
Planejamento
O diagnóstico encontrou 32 itens vencidos no posto da ala B e 4,5 minutos de busca de material em situação de urgência.
O posto de enfermagem da ala B atende 22 leitos e quatro equipes em regime 12x36, e era o ponto crítico apontado pela própria enfermagem: gavetas lotadas, estoque duplicado e material difícil de achar quando mais importava. O diagnóstico de entrada, com a auditoria padrão de 25 itens, marcou 36% (Seiri 30, Seiton 30, Seiso 40, Seiketsu 40, Shitsuke 40) e encontrou 32 itens vencidos entre medicamentos e materiais. A simulação cronometrada de urgência levou 4,5 minutos para reunir o material necessário. As regras foram acordadas com as quatro equipes e a farmácia, e a meta ficou publicada: no mínimo 85% até 30/abr/2026.
P1 Qual área foi escolhida como piloto — e por que ela?
O posto de enfermagem da ala B foi escolhido como piloto porque concentrava o maior risco assistencial: 22 leitos, quatro equipes em 12x36 e um posto com gavetas lotadas, estoque duplicado e material demorado de achar em urgência. A própria enfermagem pediu a organização, e o resultado ali seria referência imediata para as demais alas do hospital.
P2 Quais problemas a desorganização causa hoje — para o time, a segurança e o resultado?
A desorganização criava risco direto ao paciente e desgaste no time: o diagnóstico achou 32 itens vencidos em gavetas e bancadas, a busca de material em situação de urgência levava 4,5 minutos cronometrados em simulação, e o estoque duplicado no posto escondia falta e sobra ao mesmo tempo. Cada troca de plantão começava com conferência improvisada, sem padrão, dependendo da memória de cada equipe.
P3 Qual é a situação atual da área, medida e registrada?
O diagnóstico de entrada usou a auditoria padrão de 25 itens (5 por senso, nota 0 a 4) e fechou em 36%: Seiri 30%, Seiton 30%, Seiso 40%, Seiketsu 40%, Shitsuke 40%. Foram registradas 28 fotos datadas, o inventário do posto com os 32 itens vencidos identificados um a um, a cronometragem da simulação de urgência (4,5 minutos) e o levantamento de duplicidades entre posto e farmácia.
P4 Quais são as regras do programa acordadas com o time?
Regras acordadas com as quatro equipes e a farmácia: item sem uso há 60 dias ou vencido recebe cartão vermelho; item vencido é descartado só com registro e testemunha da farmácia, seguindo a norma de resíduos; devolução à farmácia com formulário próprio; nada de caixa de papelão no posto; e todo item do posto passa a ter lugar, etiqueta e quantidade máxima definida com a farmácia.
P5 Qual é a meta do programa? (pontuação alvo + prazo)
Meta publicada no quadro da ala: elevar a auditoria 5S de 36% para no mínimo 85% até 30/abr/2026. Ganhos estimados no planejamento: zerar itens vencidos no posto, reduzir a busca de material em urgência de 4,5 para menos de 1,5 minuto e implantar a conferência de validade com dupla checagem em 100% das quinzenas.
P6 Quem participa da equipe e quem patrocina a implantação?
A equipe é formada pela enfermeira coordenadora da ala B (líder do programa), um enfermeiro e um técnico de cada plantão em rodízio e uma farmacêutica de referência. O patrocínio é da gerência de enfermagem, que garantiu horário protegido nas passagens de plantão para os treinos e aprovou a compra de organizadores de gaveta, etiquetas e lacres numerados para o carro de emergência.
P7 Qual é o cronograma da implantação, senso a senso? (5W2H)
Cronograma 5W2H publicado na ala, um senso por vez: Seiri de 12 a 23/jan (triagem com a farmácia, entrega: nenhum item vencido no posto); Seiton de 26/jan a 20/fev (gavetas por classe, kit de urgência e carro de emergência lacrado); Seiso de 23/fev a 06/mar (limpeza alinhada à higienização, fontes de sujeira tratadas); Seiketsu de 09 a 27/mar (padrão visual e dupla checagem publicados); Shitsuke de 30/mar a 30/abr (rotina de auditoria rodando nas quatro equipes).
Implementação
84 cartões vermelhos com a farmácia junto, gavetas por classe com foto-padrão e carro de emergência com lacre numerado.
A implementação foi feita com a farmácia dentro do posto. A triagem emitiu 84 cartões vermelhos: 32 itens vencidos descartados com registro e testemunha, 28 devolvidos à farmácia com formulário e 24 realocados para outras alas ou para o almoxarifado. O Seiton reorganizou as gavetas por classe, com etiqueta, foto-padrão e quantidade máxima definida; o material de urgência virou kit selado em local único, e o carro de emergência passou a rodar com lacre numerado e checklist. O Seiso alinhou a limpeza com a higienização e baniu o papelão do posto. O Seiketsu publicou os padrões e a dupla checagem quinzenal de validade, e o Shitsuke levou a rotina às quatro equipes.
S1 Seiri — Como os itens da área foram classificados e o que recebeu cartão vermelho?
A triagem cobriu gavetas, bancadas, armários e o carro de emergência, com farmacêutica presente e o critério acordado: item sem uso há 60 dias ou vencido recebe cartão vermelho. Foram 84 cartões registrados em planilha com foto, lote e validade: medicamentos e materiais vencidos, itens de outras alas acumulados no posto e estoque duplicado além da quantidade definida com a farmácia.
S2 Seiri — Qual foi o destino do que saiu, e quais as evidências?
Dos 84 cartões, 32 itens vencidos foram descartados com registro individual (lote, validade e quantidade) e testemunha da farmácia, seguindo a norma de resíduos de saúde; 28 itens dentro da validade voltaram à farmácia com formulário de devolução; e 24 foram realocados para outras alas ou para o almoxarifado com termo. Evidências: planilha de cartões, formulários assinados e fotos datadas de cada gaveta antes e depois.
S3 Seiton — Qual a lógica usada pra definir um lugar pra cada coisa?
A lógica do Seiton foi risco e frequência de uso: material de urgência em kit selado, em local único e sinalizado, conferido a cada plantão; itens de uso diário nas gavetas superiores, organizados por classe com separadores; uso eventual nos armários identificados. Cada item ganhou lugar, etiqueta e quantidade máxima, e a reposição segue a regra do que vence primeiro sai primeiro, definida com a farmácia.
S4 Seiton — Como ficou a organização, e qual a regra pra cada coisa voltar ao lugar?
Cada gaveta tem etiqueta, separadores e foto-padrão colada na face interna; o carro de emergência roda com lacre numerado, checklist e conferência registrada por plantão. A regra de retorno: quem usa repõe pelo estoque do posto e registra baixa; quem abre o kit de urgência comunica a enfermeira do plantão, que refaz o selo no mesmo turno. A conferência de gavetas entra na passagem de plantão, com pendência anotada no quadro.
S5 Seiso — Como foi a limpeza, e quais fontes de sujeira foram atacadas?
A limpeza foi feita em mutirão junto com a equipe de higienização, gaveta a gaveta, com produto padronizado pela CCIH. Duas fontes de sujeira foram tratadas na causa: as caixas de papelão que entravam com material da farmácia, substituídas por caixas plásticas laváveis, e o resíduo de fita adesiva em bancadas e portas, eliminado com suporte próprio para fitas e rótulos padronizados.
S6 Seiso — Qual rotina de limpeza ficou definida? (o quê, quem, quando)
Rotina publicada no posto: a cada plantão, bancadas e superfícies limpas e organizadas na passagem, com item específico no checklist; semanalmente, limpeza das gavetas em rodízio (uma seção por dia, sem parar o posto); quinzenalmente, limpeza profunda com a higienização em horário acordado. O que, quem e quando estão no quadro da ala, e o cumprimento é conferido na autoauditoria.
S7 Seiketsu — Quais padrões visuais foram criados pra manter os três primeiros sensos?
Padrões visuais publicados: foto-padrão em cada gaveta e armário, etiquetas por classe com código de cor, sinalização do kit de urgência e do carro de emergência, quadro de gestão à vista com a pontuação das auditorias e o calendário da dupla checagem quinzenal de validade, com espaço para as duas assinaturas de cada conferência.
S8 Seiketsu — Como os padrões foram comunicados e treinados?
Os padrões foram treinados nas passagens de plantão das quatro equipes, em sessões de 30 minutos com demonstração prática nas próprias gavetas, incluindo a simulação de urgência com o kit selado. Enfermeiros e técnicos das quatro equipes assinaram a lista de presença, e o conteúdo entrou na integração de novos profissionais da ala, aplicado pela enfermeira do plantão.
S9 Shitsuke — Qual rotina de disciplina foi criada pra transformar o 5S em hábito?
A disciplina roda em três camadas: conferência do posto e do carro de emergência a cada passagem de plantão, dupla checagem quinzenal de validade com duas assinaturas e auditoria mensal completa de 25 itens com auditor de outra ala. Pendência vira ação com responsável e prazo no quadro da ala, revisada na reunião mensal da enfermagem com a farmácia.
S10 Shitsuke — Como o time foi engajado, e qual a evidência de adesão?
As quatro equipes participaram da definição das gavetas e propuseram 9 melhorias, 7 aplicadas, como o suporte de fitas e o rodízio de limpeza por seção. A adesão aparece nos registros: dupla checagem quinzenal com 100% de cumprimento desde março, conferência do carro de emergência registrada em todos os plantões de abril e nenhuma pendência de validade aberta desde 20/mar.
Análise
Auditoria de saída em 90%: cinco pontos acima da meta, zero item vencido e urgência atendida em 1 minuto.
A auditoria de saída, feita em 28/abr com a mesma régua de 25 itens e auditora de outra ala, fechou em 90%: Seiri 95%, Seiton 90%, Seiso 85%, Seiketsu 90%, Shitsuke 90%. São 54 pontos acima da entrada e cinco acima da meta de 85%. Os ganhos foram medidos com o mesmo método do diagnóstico: zero item vencido no posto (eram 32), busca de material em urgência de 4,5 para 1 minuto na simulação cronometrada e dupla checagem quinzenal com 100% de cumprimento desde março. A menor nota, o Seiso, expôs a limpeza das gavetas inferiores no plantão noturno, que entrou em plano de ação com prazo definido.
R1 Qual o resultado da auditoria 5S pós-implantação, comparado ao diagnóstico inicial?
A auditoria de saída (28/abr, mesma régua de 25 itens, auditora de outra ala) marcou 90% contra 36% da entrada: Seiri de 30% para 95%, Seiton de 30% para 90%, Seiso de 40% para 85%, Seiketsu de 40% para 90% e Shitsuke de 40% para 90%. Os maiores saltos foram do Seiri e do Seiton, justamente as piores notas do diagnóstico, puxados pela triagem com a farmácia e pelas gavetas com foto-padrão.
R2 A meta foi atingida — ou quanto dela? Quais os ganhos concretos?
A meta de no mínimo 85% até 30/abr foi atingida com folga: 90% em 28/abr. Ganhos concretos: zero item vencido no posto, contra 32 no diagnóstico, confirmado em três conferências seguidas; busca de material em situação de urgência de 4,5 para 1 minuto na simulação cronometrada; dupla checagem quinzenal de validade com 100% de cumprimento desde março; e 84 itens tratados com destino registrado e assinado.
R3 O antes × depois está comprovado com evidências? Houve efeito colateral?
Sim. O antes e depois está documentado com 28 fotos de entrada e 31 de saída, as duas simulações cronometradas de urgência, a planilha dos 84 cartões e os formulários de descarte e devolução assinados com a farmácia. Efeito colateral houve um: a quantidade máxima de dois itens de alto giro ficou apertada e gerou reposição extra no fim de semana; o parâmetro foi revisto com a farmácia em 10/abr.
R4 O que a apuração mostrou de lacunas — e qual o plano pra tratá-las?
A lacuna está no Seiso, menor nota da saída (85%): a limpeza semanal das gavetas inferiores falhava no plantão noturno, mais enxuto. Plano: o rodízio de limpeza foi redistribuído entre os quatro plantões até 15/mai, com item específico no checklist do noturno. O quadro da dupla checagem também ganhou lembrete de véspera, para a conferência não cair no esquecimento quando a quinzena vence em fim de semana.
Consolidação
Padrões publicados nas quatro equipes, auditoria mensal com dona definida e pontuação sustentada entre 87% e 89%.
A consolidação amarrou o programa à rotina assistencial. O procedimento do posto foi publicado com as fotos-padrão das gavetas, a regra do kit de urgência e a dupla checagem quinzenal, e as quatro equipes treinaram com registro assinado. O calendário prevê conferência a cada plantão, dupla checagem quinzenal e auditoria mensal de 25 itens com auditor de outra ala; a dona do 5S é a enfermeira coordenadora da ala B. O plano de reação define: nota abaixo de 85% ou qualquer item vencido encontrado aciona correção imediata com a farmácia. As auditorias de maio (88%), junho (87%) e julho (89%) sustentaram o resultado, e a ala C já iniciou o diagnóstico de entrada.
C1 Os padrões da área estão consolidados e treinados? (POP / padrão visual)
Sim. O procedimento do posto foi publicado em 30/abr com as fotos-padrão de cada gaveta, a regra do kit de urgência e do carro de emergência lacrado e o calendário da dupla checagem quinzenal. As quatro equipes treinaram nas passagens de plantão com lista assinada, e o conteúdo entrou na integração de novos enfermeiros e técnicos da ala, com registro na ficha de admissão.
C2 Como o 5S será auditado daqui pra frente — e quem é o dono do 5S na área?
A auditoria segue em três camadas: conferência do posto e do carro de emergência a cada passagem de plantão, dupla checagem quinzenal de validade com duas assinaturas e auditoria mensal completa de 25 itens com auditor de outra ala, sempre com a régua da entrada. A dona do 5S na área é a enfermeira coordenadora da ala B, que publica a nota no quadro e responde pelas pendências com a farmácia.
C3 Qual o plano de reação se a auditoria cair abaixo da meta?
Dois gatilhos acionam o plano de reação: nota abaixo de 85% na auditoria mensal ou qualquer item vencido encontrado em conferência. No primeiro caso, análise de causa em até dois dias e mutirão de correção em até uma semana; no segundo, descarte imediato com registro e revisão da quinzena com a farmácia. Dois meses seguidos abaixo da meta sobem à gerência de enfermagem. De maio a julho o plano não foi acionado.
C4 Quais lições ficaram, e qual o plano de expansão pra outras áreas?
Lições registradas: farmácia dentro do programa desde a triagem evita retrabalho e dá segurança ao descarte; quantidade máxima por item só funciona revisada com dados de consumo; e foto-padrão na face interna da gaveta ensina mais que qualquer manual. A expansão segue o plano: ala C iniciou o diagnóstico de entrada em julho com a mesma régua, e o centro cirúrgico entra na sequência.
Em quatro meses, o posto de enfermagem da ala B do Hospital São Lucas saiu de 36% para 90% na auditoria 5S de 25 itens, acima da meta de 85% fixada para 30/abr. Foram 84 cartões vermelhos tratados: 32 itens vencidos descartados com registro e testemunha da farmácia, 28 devolvidos à farmácia e 24 realocados. O posto zerou itens vencidos (eram 32 no diagnóstico), a busca de material em situação de urgência caiu de 4,5 para 1 minuto e a dupla checagem de validade roda com 100% de cumprimento desde março. As auditorias de maio a julho sustentaram a pontuação entre 87% e 89%, e a ala C iniciou o próprio diagnóstico. (projeto ilustrativo)
Pronto pra transformar a sua área?
Use este case como referência de profundidade — fotografe o antes, meça com a mesma régua, implante senso a senso e deixe padrão, auditoria e dono.
