5S não é coisa de fábrica.
Onde existe área de trabalho, o 5S transforma — posto de enfermagem, doca de expedição, laboratório, escritório, cozinha profissional. Veja o mesmo método aplicado em setores diferentes, cada projeto com seu Plano Mestre 5S fechado.
Pesagem no padrão: 5S e boas práticas andando juntos
Alimentício · Sala de pesagem e preparação · Fev/2026 – Mai/2026
Planejamento
Na sala onde a balança convive com auditoria sanitária, a equipe mediu 40% de entrada e fechou a meta mais alta da empresa: 88% até 31/mai.
A sala de pesagem e preparação foi escolhida como piloto porque é onde a qualidade do biscoito nasce — e onde as auditorias internas de boas práticas de fabricação mais apontavam desvio: 9 não-conformidades por mês, insumo sem identificação de validade, utensílio fora de uso disputando espaço com o de uso diário e pesagem levando 12 minutos por lote. A auditoria de entrada, com a régua padrão de 25 itens, deu 40%. Por ser área de alimento, a meta foi a mais exigente da Biscoitos Doce Vida: no mínimo 88% até 31/mai/2026, com zero insumo vencido na sala. O cronograma senso a senso cobriu fevereiro a maio. (case ilustrativo)
P1 Qual área foi escolhida como piloto — e por que ela?
A sala de pesagem e preparação, porque é onde a receita do biscoito nasce e onde as auditorias internas de boas práticas mais apontavam desvio: 9 não-conformidades por mês, o pior índice da fábrica. Erro ali contamina o lote inteiro que segue para as masseiras. Além do risco sanitário, era um piloto de alto impacto: toda a produção passa pela sala, e o resultado seria visível para a fábrica inteira.
P2 Quais problemas a desorganização causa hoje — para o time, a segurança e o resultado?
Para o time, pesagem de 12 minutos por lote — boa parte procurando utensílio, concha e insumo no meio do que não era usado. Para a segurança do alimento, o risco real: insumo sem identificação de validade, utensílio fora de uso acumulando resíduo e rótulo manuscrito ilegível. Para o resultado, 9 não-conformidades internas de boas práticas por mês, retrabalho de pesagem e o risco de reprovação em auditoria de cliente.
P3 Qual é a situação atual da área, medida e registrada?
Auditoria de entrada em 02/fev, régua de 25 itens (nota 0–4 por item): 40% geral — Seiri 35%, Seiton 35%, Seiso 45%, Seiketsu 45%, Shitsuke 40%. Fotos datadas das prateleiras de insumo e do armário de utensílios. Linha de base do negócio: 9 não-conformidades internas por mês (média do trimestre), pesagem cronometrada em 12 min/lote e 18 insumos vencidos ou sem identificação encontrados na varredura inicial.
P4 Quais são as regras do programa acordadas com o time?
Regras acordadas com a produção e a qualidade: utensílio sem uso há 3 meses recebe cartão vermelho; insumo vencido ou sem identificação é segregado na hora e descartado com registro da qualidade — nunca no lixo comum; todo insumo aberto ganha etiqueta com data de abertura e validade; nada entra na sala sem endereço definido. Papéis: supervisora conduz, pesadores executam, analista da qualidade valida cada etapa contra as boas práticas.
P5 Qual é a meta do programa? (pontuação alvo + prazo)
Elevar a pontuação da auditoria 5S de 40% para no mínimo 88% até 31/mai/2026 — meta mais alta que o padrão da empresa por ser área de alimento. Metas de negócio amarradas: no máximo 2 não-conformidades internas de boas práticas por mês ao fim do ciclo, pesagem abaixo de 8 minutos por lote e zero insumo vencido na sala em qualquer verificação.
P6 Quem participa da equipe e quem patrocina a implantação?
Líder: a supervisora de produção do turno da manhã. Equipe: dois pesadores (um por turno) e uma analista da qualidade, que garantiu o alinhamento de cada regra com as boas práticas de fabricação. Patrocinador: o gerente da fábrica, que aprovou etiquetas, prateleiras em inox para a área de insumos abertos e a parada de meio turno do mutirão inicial.
P7 Qual é o cronograma da implantação, senso a senso? (5W2H)
Cronograma 5W2H, um senso por vez: Seiri 02–13/fev (mutirão de cartões vermelhos na sala, com a qualidade validando descartes); Seiton 16–27/fev (endereçamento por receita e sequência de pesagem); Seiso 02–13/mar (limpeza profunda e ataque às fontes de resíduo); Seiketsu 16/mar–03/abr (padrões visuais e etiqueta única de validade); Shitsuke 06/abr–15/mai (rotina de verificação diária). Auditoria de saída em 18/mai.
Implementação
77 cartões vermelhos com a qualidade validando cada destino, endereço por sequência de pesagem e etiqueta única de validade em todo insumo aberto.
O mutirão de Seiri emitiu 77 cartões vermelhos com a analista da qualidade validando cada destino: 31 utensílios fora de uso descartados, 18 insumos vencidos descartados com registro formal, 16 itens devolvidos ao almoxarifado e 12 realocados. O Seiton reorganizou a sala pela sequência da pesagem: insumos de maior giro na altura dos olhos, utensílios em suporte inox com contorno, balanças com área demarcada. O Seiso atacou as fontes de resíduo — farinha em suspensão e respingo de essência — e o Seiketsu instalou a etiqueta única de validade e o quadro do padrão. O Shitsuke amarrou a verificação diária ao checklist de boas práticas que a sala já usava.
S1 Seiri — Como os itens da área foram classificados e o que recebeu cartão vermelho?
Cada prateleira, armário e bancada foi revisado com duas perguntas: usa nas receitas atuais? está dentro da validade? Recebeu cartão vermelho o que falhou em qualquer uma: utensílios de receitas descontinuadas, conchas e espátulas danificadas (risco de fragmento), 18 insumos vencidos ou sem identificação e embalagens vazias guardadas "por precaução". Foram 77 cartões, cada um com item, motivo, data e o visto da analista da qualidade.
S2 Seiri — Qual foi o destino do que saiu, e quais as evidências?
Dos 77 cartões: 31 utensílios fora de uso descartados, 18 insumos vencidos descartados com registro formal de descarte assinado pela qualidade — nunca no lixo comum, para não voltarem —, 16 itens devolvidos ao almoxarifado com reentrada no sistema e 12 realocados para outras salas. Evidências: planilha de destino com dupla assinatura (supervisora e qualidade), registros de descarte arquivados e fotos datadas antes e depois.
S3 Seiton — Qual a lógica usada pra definir um lugar pra cada coisa?
A sequência da pesagem mandou na organização: insumos de maior giro ficaram na prateleira à altura dos olhos, na ordem em que entram na receita; os de menor giro, identificados, nas prateleiras altas; utensílios em suporte inox com contorno, ao lado da balança onde são usados. Cada posição ganhou endereço e etiqueta. As duas balanças ganharam área demarcada e livre — nada se apoia nelas entre pesagens.
S4 Seiton — Como ficou a organização, e qual a regra pra cada coisa voltar ao lugar?
Prateleiras endereçadas por ordem de receita, suporte inox com contorno para cada utensílio, área de insumo aberto separada da de insumo lacrado e etiqueta de validade padronizada em tudo. Regra de retorno: utensílio volta ao contorno higienizado logo após o uso; insumo aberto volta à área própria com etiqueta de abertura preenchida. O pesador confere a sala no checklist de fim de turno, junto com o registro de boas práticas.
S5 Seiso — Como foi a limpeza, e quais fontes de sujeira foram atacadas?
Limpeza profunda em dois fins de semana, com prateleiras esvaziadas e higienização completa validada pela qualidade. Fontes de resíduo atacadas na causa: o dosador de farinha ganhou vedação nova (fim da farinha em suspensão que forrava as prateleiras), o suporte de essências ganhou bandeja anti-respingo e a lixeira de pedal substituiu a de tampa manual, eliminando o toque na tampa com a mão enluvada.
S6 Seiso — Qual rotina de limpeza ficou definida? (o quê, quem, quando)
Higienização de bancadas e balanças a cada troca de lote, pelo próprio pesador, conforme o procedimento da qualidade; limpeza geral da sala no fim de cada turno, com checklist assinado; e higienização profunda semanal aos sábados, em rodízio de dupla, incluindo prateleiras e suportes. O checklist 5S foi integrado ao registro diário de boas práticas — uma folha só, para não criar burocracia dupla.
S7 Seiketsu — Quais padrões visuais foram criados pra manter os três primeiros sensos?
Etiqueta única de validade — verde dentro do prazo, laranja para uso prioritário na semana, com data de abertura e validade legíveis —, contorno de utensílio nos suportes inox, endereço em toda prateleira, demarcação das áreas de balança e do fluxo de pessoas, e o quadro do padrão com a foto de cada área na parede da sala. Qualquer pesador, de qualquer turno, encontra e devolve tudo sem perguntar.
S8 Seiketsu — Como os padrões foram comunicados e treinados?
Treinamento de uma hora por turno com os 6 pesadores e as 2 auxiliares, conduzido pela supervisora com a analista da qualidade, cobrindo o padrão fotografado, a etiqueta de validade e o registro integrado, com lista de presença arquivada. O padrão entrou na integração de novos operadores e na reciclagem semestral de boas práticas — 5S e segurança do alimento são apresentados juntos, como uma coisa só.
S9 Shitsuke — Qual rotina de disciplina foi criada pra transformar o 5S em hábito?
Verificação diária embutida no checklist de boas práticas do fim de turno (cinco itens 5S: etiqueta, contorno, área de balança, resíduo, prateleira), autoauditoria semanal de 10 itens em rodízio entre os pesadores e auditoria mensal com a régua completa de 25 itens. Desvio de validade é tratado na hora, com segregação imediata; os demais viram ação com dono e prazo no quadro da sala.
S10 Shitsuke — Como o time foi engajado, e qual a evidência de adesão?
O time desenhou o novo endereçamento — a ordem das prateleiras seguiu a sugestão dos próprios pesadores, que conhecem a sequência de cada receita. A nota semanal no quadro criou orgulho da sala. Evidência de adesão: checklist integrado preenchido em 98% dos turnos desde abril, zero insumo vencido nas verificações semanais desde 20/mar e a pesagem já cronometrada em 7 min/lote em maio.
Análise
De 40% para 91% na mesma régua: meta de 88% batida, não-conformidades de 9 para 1 por mês e zero insumo vencido.
A auditoria de saída, em 18/mai, usou a mesma régua de 25 itens e a mesma auditora da entrada: 91% contra os 40% de fevereiro — Seiri 95%, Seiton 90%, Seiso 90%, Seiketsu 95%, Shitsuke 85%. A meta de 88%, a mais exigente da empresa, foi superada. Os ganhos falaram a língua da fábrica: não-conformidades internas de boas práticas de 9 para 1 por mês, pesagem de 12 para 7 minutos por lote e zero insumo vencido em todas as verificações desde 20/mar. Tudo comprovado em foto, cronometragem e relatórios de auditoria interna. A lacuna ficou no Shitsuke do turno da noite, com plano de reforço já em execução.
R1 Qual o resultado da auditoria 5S pós-implantação, comparado ao diagnóstico inicial?
Auditoria de saída em 18/mai, mesma régua de 25 itens e mesma auditora da entrada: 91% geral contra 40% de fevereiro. Por senso: Seiri 35%→95%, Seiton 35%→90%, Seiso 45%→90%, Seiketsu 45%→95%, Shitsuke 40%→85%. O Seiketsu quase gabaritou: a etiqueta única de validade e o contorno de utensílio tornaram o desvio visível a três metros de distância.
R2 A meta foi atingida — ou quanto dela? Quais os ganhos concretos?
Meta de 88% superada em 3 pontos — e era a meta mais alta da empresa. Ganhos: não-conformidades internas de boas práticas de 9 para 1 por mês (a única de abril foi um registro de limpeza sem assinatura, não um desvio físico), pesagem de 12 para 7 min/lote — nos ~40 lotes/semana da sala, mais de 3 horas semanais devolvidas — e zero insumo vencido em todas as verificações semanais desde 20/mar, contra 18 achados na varredura de entrada.
R3 O antes × depois está comprovado com evidências? Houve efeito colateral?
Comprovado: fotos datadas de cada prateleira e bancada antes e depois, cronometragens de pesagem de fevereiro e maio na mesma receita padrão, relatórios das auditorias internas de boas práticas com a queda mês a mês e os dois relatórios da régua 5S arquivados. Efeito colateral: a etiqueta laranja de uso prioritário começou sendo ignorada — a qualidade incluiu a conferência dela na liberação diária da sala e o giro passou a respeitar a fila.
R4 O que a apuração mostrou de lacunas — e qual o plano pra tratá-las?
A lacuna mora no Shitsuke, 85%: o turno da noite falhou no preenchimento do checklist integrado em duas semanas de abril, e a higienização profunda de sábado atrasou uma vez. Plano: a supervisora da noite assumiu a verificação de fechamento por quatro semanas, o sábado de higienização entrou no quadro de escala com antecedência mensal e o resultado será conferido na auditoria de 19/jun.
Consolidação
Padrão integrado às boas práticas, auditoria mensal com dona definida e a sala de embalagem na fila da expansão.
A consolidação amarrou o 5S ao sistema que a fábrica já respeitava: o padrão da sala foi incorporado ao procedimento de boas práticas de fabricação, com a foto-padrão de cada área na parede e treinamento registrado. A auditoria mensal segue com a régua de 25 itens e rodízio de auditores entre salas, sob responsabilidade da supervisora da manhã, dona do 5S da área. O plano de reação define: nota abaixo de 88% ou qualquer insumo vencido aciona correção imediata com causa registrada. As auditorias seguintes sustentaram o patamar — 91%, 90%, 92% e 90% de maio a agosto — e a expansão começou pela sala de embalagem.
C1 Os padrões da área estão consolidados e treinados? (POP / padrão visual)
Sim. O padrão da sala foi incorporado ao procedimento de boas práticas de fabricação — não é um documento paralelo, é parte do sistema que a fábrica já audita. A foto-padrão de cada área está na parede da sala, os 8 operadores dos dois turnos foram treinados com registro e a reciclagem semestral de boas práticas passou a incluir o padrão 5S da sala no mesmo módulo.
C2 Como o 5S será auditado daqui pra frente — e quem é o dono do 5S na área?
Auditoria mensal com a régua completa de 25 itens, na terceira semana do mês, com rodízio de auditores entre as salas da fábrica — ninguém audita a própria área — e acompanhamento da qualidade nas auditorias de número par. Dona do 5S da sala: a supervisora de produção da manhã, que publica a nota no quadro, atualiza o Plano Mestre e leva o resultado à reunião mensal de qualidade com o gerente da fábrica.
C3 Qual o plano de reação se a auditoria cair abaixo da meta?
Nota abaixo de 88% aciona mutirão de correção em até sete dias, com causa registrada no quadro e verificação na auditoria seguinte. Insumo vencido ou sem identificação é desvio crítico: segregação na hora, registro da qualidade e investigação de como passou pelo controle visual — sem esperar auditoria. Checklist integrado com duas falhas na mesma semana aciona conversa da supervisora com o turno no dia seguinte.
C4 Quais lições ficaram, e qual o plano de expansão pra outras áreas?
Lições: integrar o 5S ao checklist de boas práticas evitou burocracia dupla e foi decisivo para a adesão; etiqueta de validade só funciona com conferência diária; descarte de insumo precisa de registro formal para não voltar da lixeira. Expansão: a sala de embalagem inicia pelo diagnóstico de entrada em jun/2026, com a mesma régua, apadrinhada pelos pesadores da sala piloto — dois deles participam de cada mutirão.
Em quatro meses, a sala de pesagem e preparação da Biscoitos Doce Vida subiu de 40% para 91% na auditoria 5S de 25 itens, superando a meta de 88% — a mais exigente da empresa, por ser área de alimento. As não-conformidades internas de boas práticas de fabricação caíram de 9 para 1 por mês, a pesagem caiu de 12 para 7 minutos por lote e a sala fechou o ciclo com zero insumo vencido, sustentado pelo controle visual de validade. Os 77 cartões vermelhos foram tratados com registro, e o padrão da sala virou referência para a expansão à sala de embalagem. (case ilustrativo)
Pronto pra transformar a sua área?
Use este case como referência de profundidade — fotografe o antes, meça com a mesma régua, implante senso a senso e deixe padrão, auditoria e dono.
